CONVIDADOS A CONSPIRAÇÃO SOLAR DO PADRE HIMALAYA CONVIDADOS
A Conspiração Solar do Padre Himalaya

O que pode ver no Convento de S. Payo:

A CONSPIRAÇÃO SOLAR DO PADRE HIMALAYA

Em 1904 uma multidão apinhara-se à entrada da Exposição de St.Louis, Missouri, Estados Unidos da América. Era a feira do Mundo do ano de 1904. Esperança num progresso sem fim para a humanidade!
No Palácio das Exposições de Máquinas, havia uma agitação febril. Rodopiavam roldanas e bielas, matraqueavam êmbolos e pistões numa sinfonia ruidosa de formidáveis aparelhos que patenteavam o orgulho da técnica. Mas as pessoas apressavam-se sobretudo para a colina do parque de Exposições. Um invento despertara aí ainda mais a curiosidade dos visitantes.
O " New York Times", o "Sunday Magazine" e o "Republic" relataram, nas primeiras páginas o extraordinário invento do Padre Himalaya.
Muita gente admirava a gigantesca estrutura de aço, onde milhares de espelhos reflectiam a luz do Sol contra o tambor refractário que constituía o centro focal do forno solar.
O "Pireliófero" do Padre Himalaya era uma enorme estrutura de aço, com milhares de espelhos. Tratava-se de uma descoberta da utilização da Energia Solar. O Padre Himalaya, o magro e alto sábio português, construíra o potente engenho, com 80 metros quadrados de superfície, e obtinha assim 3.5000 graus de temperatura no forno fixo ao cimo da estrutura metálica.
O reflector era uma imensa parabólica. Os elementos de cristal puro estavam montados numa armação de ferro. O aparelho de relojoaria, fazia girar a enorme estrutura à mesma velocidade que o Sol.
As pessoas faziam fila para observarem aquela reverberação do Sol que encandeava os milhares de visitantes da célebre Exposição Internacional na América.
O Padre Himalaya com o enorme aparelho parabólico apontado para o Sol, aproximava o forno refractário do ponto focal...e repentinamente tudo se derretia-o granito e o basalto quase se liquefaziam instantâneamente.
Portugal entrava assim, há quase 100 anos na história das energias renováveis.
A primeira estranha aventura, depois deste sucesso enorme, foi o roubo da Máquina Solar. O sábio ficou desanimado, pois era-lhe difícil conseguir apoios para prosseguir com o projecto de accionar motores de uso múltiplo com a energia solar.
Depois inventou, na América, a himalaíte, uma pólvora com base no clorato de potáasio. Da patente deste invento tirou maior proveito. Veio para Portugal e teve alguns apoios financeiros para criar uma empresa, ainda durante a Monarquia. A Companhia Himalaíte veio a fixar-se no Barreiro, em Palhais, e o fabrico da pólvora só começou depois da implantação da República, por volta de 1911.
O Padre Himalaya fabricou cartuchos de himalaíte e participou activamente numa campanha de arborização do País, aconselhando o uso de explosivos para fazer os furos no solo.
O Padre Himalaya veio ainda a ser autor de variadas patentes: um motor directo e um turbo-motor, uma farinha alimentar baseada em pequenos crustáceos misturados em farelo e ainda um sistema de reciclagem de esgotos com fins de produção de adubos..
Outros inventos estão por esclarecer, mas houve quem falasse , na altura, da máquinas militares, canhões e "sonards" quando pertenceu a uma Comissão de Inventos de Guerra para apoio aos Aliados, ainda durante a guerra de 1914/18. A esclerose científica e cultural de Portugal não lhe permitiu realizar muitas das sua "utopias" que expressou ao longo das suas intervenções na Academia de Ciências de Portugal que Teófilo Braga dirigia.
Já em 4 de Agosto de 1908 o Padre Himalaya apresentava um projecto para um plano nacional, que apontava para uma larga descentralização de açudes, albufeiras e pequenas represas que permitissem, através de canais e sistemas elevatórios simples, irrigar todo o território de Portugal.
O Padre Himalaya apontava, já nessa altura, os locais privilegiados da nossa hidrografia para utilização de barragens hidroeléctricas.
Mas o mais interessante é que já nesse texto de 1908 o Padre Himalaya defendia o uso de energias renováveis: a energia das marés, o uso das vagas do oceano e ainda a generalização da energia eólica.
Nesse plano geral, o padre cientista articulava para o desenvolvimento sustentado do nosso país: agricultura, açudes piscícolas e implantações oficinais, tudo sito apoiado em parte pela produção de energia proveniente do Sol, do vento, da água e da biomassa.
Quando em 1909, tremores de terra sacudiram profundamente a cidade de Lisboa e destruíram as vilas ribatejanas de Samora e Benavente, o Padre Himalaya mostrou-se um conhecedor de vulcanologia e avançou com espantosas intuições: o uso dos "geisers" para futura energia geotérmica
Além disso, propôs a generalização do betão. Armado, de modo a precaverem-se situações sísmicas.
Discorreu sobre os portos de mar, sobre bairros sociais equipados para a população citadina, defendeu o animatógrafo para as campanhas culturais e pedagógicas junto das populações rurais. Apoiou escolas móveis pelo país, para que se generalizasse o conhecimento de novas técnicas e novos processos de cultivo agrícola.
Numa intervenção, já durante a República, em 21 de Fevereiro de 1911, o Padre Himalaya foi entusiasticamente aplaudido. Teorizou a necessidade de se adaptar o ensino público às condições regionais. Considerou imprescindível a abertura de escolas de artes e ofícios por todo o país, " colónias agrícolas" e " quintas de aprendizado".
Em 22 de Julho de 1911, fez uma intervenção sobre o problema económico português. Aí desenvolveu, aspectos metodológicos sobre "jardins agrícolas, onde as próprias crianças de ambos os sexos (...) aprenderiam o processo de semear, de cultivar e multiplicar as suas propriedades alimentícias, industrias e medicinais". Nesta intervenção, o Padre Himalaya avança alguns pontos que têm grande actualidade e que bem poderiam ajudar a debelar esta crise actual do ensino: "os jardins escolares agrícolas, junta a escolas, devem obedecer a uma boa conservação e a utilização dos produtos do solo e bem assim como à conservação e reparação dos instrumentos de trabalho":
Assim prossegue Himalaya, "a criança nunca perderá o contacto com a mãe natureza a com a realidade prática (...) O ensino dos liceus deverá ser inspirado nos mesmos princípios (...) e dar-se primazia ao estudo prático das línguas das ciências e das artes".
O Padre Himalaya voltou à América em 1920 e em 1922, tendo aí visitado centros universitários e numerosas experiências tecnológicas.
Numa entrevista ao jornal "O Século", Himalaya revela o dramatismo do nosso país: uma potencialidade excepcional de sonho e ao mesmo tempo uma inércia provinciana. Viaja para a Argentina onde permanece durante seis anos, para escrever um livro sobre cosmologia, sobre novos inventos, sobre explicações científicas das forças da Natureza... Nesse país interessou-se pelas populações autóctones e prosseguiu com investigações na medicina natural. Conhecem-se algumas páginas amareladas pelo tempo, em espanhol, de um manuscrito inacabado.
Voltou em 1932. Alguns meses depois, morria com 65 anos, em Viana do Castelo, no Lar da Caridade, onde fora capelão.
Apenas um ou outro jornal lembrou, numa magra coluna necrológica, o autor daquela famosa máquina solar que ganhara um primeiro prémio na América.


e o que pode ver na Galeria da Pousada D. Diniz


BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE DE VILA NOVA DE CERVEIRA